Take Me To The Dungeon!!

Take Me To The Dungeon!! é um deckbuilder roguelike com pornografia em cima, e não um jogo pornô com cartas enfiadas no meio. Essa distinção é a coisa mais importante que eu tenho pra te dizer: se você veio procurar um catálogo de cenas, vai sair frustrado. Se você veio procurar um Slay the Spire adulto que não te trata como idiota, senta que aqui tem jogo de verdade. E vem sem censura na Steam, sem patch, sem DLC escondido.
Gameplay/Mecânicas
O sistema que segura o jogo inteiro é o descarte. Suas cartas não voltam pra mão sozinhas: o que você jogou, jogou. Pra recuperar a mão você precisa descartar permanentemente uma carta do baralho, e ela só volta num acampamento ou quando você derruba um minichefe. Se queimar o baralho todo, a run acaba ali. Todo turno vira uma pergunta incômoda no melhor sentido: eu gasto mais uma carta agora ou eu aguento esse chefe com o que sobrou?
Quem vem do Slay the Spire vai estranhar, e é justamente aí que o jogo se separa do clone. Não existe RNG de compra, o baralho inteiro está disponível no começo de cada batalha, o que significa que derrota é culpa sua, não de mão ruim. Em cima disso tem runas que reescrevem custo e efeito das cartas e vão desbloqueando na loja da cidade, tesouros que aplicam modificadores no baralho todo, encantamentos que caem de eventos, companheiros que mudam a forma de jogar e o sistema de Halos amarrado no descarte. São mais de 50 cartas e 20 runas, e a construção é funda de verdade. O jogo ainda dá uma dica sugerindo cartas e runas úteis contra o chefe da vez, o que evita aquele tipo de derrota em que você perde por não ter como saber.
Gráficos/Desempenho
A arte é o que vende o jogo na primeira olhada, e ela entrega: 23 cenas animadas em Spine e mais de 200 CGs, com o mesmo acabamento dentro e fora das cenas adultas. Os mapas de masmorra são o ponto morto visual, cinzentos e repetitivos.
O áudio é onde o jogo passa da conta pro que ele cobra. Dublagem japonesa completa no elenco principal, com uma energia bem Konosuba, e uma trilha sonora que aguenta ser ouvida fora do jogo - o compositor também assinou música pra Muse Dash, e dá pra ouvir isso na luta final. Tem Story Recap pra rever diálogos e interações perdidas na exploração, cortesia rara no gênero. Tem até suporte a Lovense, se essa é sua praia.
História/Imersão
O roteiro é isekai com molde de harém e uma pitada de fantasia/sci-fi, e funciona pelos personagens, não pela trama. Una carrega tudo - sincera, direta, teimosa do jeito certo - e Pamela e Mona seguram bem as pontas. Os eventos pequenos espalhados pela masmorra são a melhor escrita do jogo: leves, engraçados, e fazem o elenco parecer vivo.
Sobre o conteúdo adulto, sem rodeio: é pouco pro tamanho do jogo. São 12 a 20 horas de campanha e as cenas pingam. O que você vê na rota principal é vanilla e as garotas que não são a protagonista quase não recebem nada. A arte dessas cenas é boa e tem animações básicas.
Sintonia
Muito boa. Compre se você quer um deckbuilder de verdade e aceita o nsfw como acompanhamento. Pelo preço você está levando mais jogo do que a maioria dos títulos adultos entrega. Passe longe se o que você quer é só galeria: existe muito hentai mais generoso por aí em preço e quantidade.

