X-Angels

Por Rádio · 10 set · 3 min
Boa
Regular · Boa · Muito boa · Excelente
Degeneração3/5
Consentimento2/5
Screenshot de X-Angels

X-Angels é um deckbuilder roguelite +18 da Barance Studio, e é daqueles jogos que você compra pela arte e acaba ficando pelo baralho. A premissa é uma bobagem assumida: as Anjas que deveriam cuidar de Pheonix City viraram as donas do pedaço, e a única coisa capaz de derrubá-las é a castidade de um cara prestes a completar trinta anos.

Gameplay/Mecânicas

Não adianta fingir surpresa: isso aqui é Slay the Spire. Mapa com bifurcação, combate por turnos com mão de cartas e energia, loja, evento e chefe no fim do setor. O que X-Angels faz de próprio é amarrar o baralho às quatro heroínas. Cada uma abre uma linha de cartas e uma ultimate diferente, você escolhe com qual começa e vai somando as outras conforme derruba cada uma, e dá para trocar quem está na frente entre as lutas, ainda que na prática isso mude só a ultimate. Junte relíquias, melhoria permanente de carta e uma pilha de eventos esquisitos que viram a run do avesso, e você tem bem mais profundidade do que o nicho costuma entregar.

A dificuldade puxa para o lado fácil, mas ainda assim tem seu desafio. O jogo é generoso com poder e deixa você montar combo quebrado sem muito esforço, que é exatamente a graça de um deckbuilder, e mesmo assim continua interessante porque as quatro builds pedem jogos diferentes.

Duas escolhas de estrutura dividem opinião. A afeição não passa de uma run para a outra, então cada corrida recomeça do zero nesse ponto, e boa parte das escolhas de evento aparece travada até você acertar a sequência certa de acontecimentos. Em compensação, a galeria destrava inteira depois da primeira zerada, e se você apanhar duas vezes do chefe final o jogo te entrega o final em vez de te deixar preso numa run morta. São duas decisões que evitam o pior defeito possível aqui, que seria te obrigar a repetir para rever o que você já desbloqueou.

Gráficos/Desempenho

A arte é o cartão de visita e ela entrega. Os designs das quatro são bem separados, dá para saber quem é quem de longe, e as cenas são animadas. Em combate a roupa vai se quebrando conforme a luta aperta, e é um capricho que muita gente do gênero não tem. A dublagem é completa e boa, a trilha cumpre, e a interface é limpa na maior parte do tempo, ainda que numa luta cheia de status ela fique carregada. Rodando em Unity, é sólido, sem relato de bug ou queda de desempenho.

História/Imersão

A história é simples e coerente, e no meu livro isso é elogio. Ela não tenta ser densa, ela te dá um motivo para descer o próximo setor, e faz isso com humor e com personagens que têm personalidade própria. Cada uma das quatro tem seu jeito, seu passado e sua razão de ter virado o que virou, e o jogo leva isso a sério o suficiente para que escolher quem fica do seu lado tenha peso. O ritmo é bom, as cenas chegam onde têm que chegar, atreladas ao relacionamento, sem te deixar arrastando atrás de nada.

Cada heroína também abre dois caminhos, o de amor e o de corrupção, e é no segundo que o conteúdo um pouco mais pesado mora. O de corrupção só libera depois de você ter fechado o de amor, que é uma trava esquisita mas tem lógica: o padrão é a rota boazinha, e a parte feia é escolha sua.

Sintonia

Boa. É um Slay the Spire honesto, com arte muito acima da média do nicho, e do tipo que sobrevive à pergunta de se continuaria jogável sem o +18. A resposta é sim. Compre se deckbuilder é o seu gênero e você quer um que não te trate como idiota. Passe longe se você não tem paciência com jogo de cartas, porque é isso que você vai fazer a maior parte do tempo.

Screenshot 2 de X-Angels
Screenshot 3 de X-Angels

Veredito

BoaCompre se deckbuilder é o seu gênero e você quer um que não te trate como idiota. Passe longe se você não tem paciência com jogo de cartas, porque é isso que você vai fazer a maior parte do tempo.
A favor
Baralho amarrado às quatro heroínas · Relíquias, melhoria de carta e eventos que viram a run · Cenas animadas e designs fáceis de distinguir · Galeria destrava inteira depois da primeira zerada · Sólido em Unity, sem bug nem queda de desempenho
Contra
Afeição não passa de uma run para a outra · Escolhas de evento travadas até a sequência certa · Dificuldade puxa para o lado fácil · Rota de corrupção só libera depois da de amor